segunda-feira, 16 de abril de 2012

Escada infinita que leva ao céu


            Escada infinita que leva ao céu
            Quantos passos me faltam para te superar?
Não ouso olhar para trás
Que posso me desequilibrar
Mesmo sabendo que o inventário
          Dos feitos podem me entusiasmar...
    
            Escada infinita que leva ao céu
            Qual o arquiteto responsável por tua existência?
            Por que tão inclinada
            Por que tão espiralada?
            Quererá ele provocar minha derrocada?
            Escada infinita que leva ao céu
           Quero me sentar para ver se passa
           A vertigem que me assalta
           De tanto mirar
            O teu fim entre as nuvens
             E a ele chegar.

            Escada infinita que leva ao céu
            Por que me incita a esta louca jornada?
            Estou só, outros te abjetam
E se deliciam com pão e mel
E eu que tanto anseio a Ambrósia
Tenho vazio o farnel.

Escada infinita que leva ao céu
Envia o mestre, o mensageiro fiel
Enfim, quem possa me acompanhar
Que ando fraca e cansada.
E preciso me animar
Com um sorriso, uma mão amiga, o brilho de um olhar.

Escada infinita que leva ao céu
É meu destino seguir por ti
Mesmo sem saber se chegarei a teu fim.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

eternidade - poema

se um homem morre;
não morre a ideia que o homem semeou no coração
doutros homens.

essa  a maior contribuição
que se pode dar
aos que nos acompanham

só o amor é que cura
 verdadeiramente
mesmo que a ferida mate

eu sou o que fala
através dos homens

eu sou o que rege
as mares dos mares

eu sou há eras
o sal dos mares
o calor dos montes
e o sabor do mate
eu sou o que age
a favor da vida

eu sou o poeta
eu sou a madre
tudo isso eu sou
eu sou o amor







terça-feira, 10 de abril de 2012

frio a dois - poema


Por que, se havia comida?
Por que,se cinema, se viagem e festa
e gente à beça?
Por que, se você e eu letrados?
Por que se carro comprado,
se diplomas conquistados
e tevê bem grande esperando na sala
e sapatos e roupas e livros
e Phil Collins cantando 
Can't turn back the years
e a luz apagada... ?


Porque as frases foram ficando cinza
e a comida, se servida, fria.
Porque a cama e a casa vazias
de algo inominado, mas desejado.
Porque o tempo, ponteiros do relógio,
não quis esperar.
Eu fui, você ficou,
eu fiquei, você foi
desencontro a dois.

novelo - poema

o amor é cego
é cego o amor
cego o amor é
o sábio é cego amor
o amor cega
é sábio amar
sábio amor é cego
cego e sábio é amar

questão filosófica

o que é mais importante
o telescópio ou o astrônomo?
....
as estrelas.

devaneios - poemas




Estava na cozinha, decidindo até que horas me dedicaria ao cuidado da casa. Tenho uns livros que me esperam... quando ouvi do rádio:

I’m so tired in fall in love

Era o que dizia a canção que tocava na Antena 1
Às 11h45 da manhã.
Amigo, você não ama, pensei
Você se apega

I’m so tired in play this game...

Mas quem disse que amar é um jogo?
Amor é cura (minha e sua)
É compartilhar
 A jornada
É sentimento leve,
Que te preenche todo
E alegra todo o seu dia
Todo dia
Amor/ amar não é caça
O amado, a amada,
Não são presas
São seres especiais
Que despertam o melhor em nós
Tudo o mais é falácia






O mal mata
Quem o pratica
E quem nele acredita
Porque só o Bem é vida
E chega um tempo
Em que não é mais possível
Transitar pelos dois

domingo, 8 de abril de 2012

Alheamento - poema


Cada grão
De chuva
Plantado no chão
Árido
Do meu sertão
É esperança de vida
De fruta no pé
E pão
Nas mãos e bocas
Das minhas crianças
Sofridas.

Cada grão de chuva
Que você recrimina,
sulista,
É pepita preciosa
Que cobriria de verde
A minha terra ressequida
Se ele caísse por lá.

Eu sou uma ave mirrada
Que agora voa
Sob a garoa
Desse lugar cinza e triste
                                                             Em que a água veio abundar